Foi o quê ele disse à menina. "As coisas vão ficar melhores... Já já vai amanhecer... Você vai ver..."
Seus olhos fecharam-se por um instante. Ele sentiu o ar gelado da madrugada queimando seus pulmões.
A criança chorava. Não sabia o quê estava acontecendo, mas de alguma forma sentia que não estava certo.
Para acalentá-la ele colocou a mão sobre sua fronte e puxou-a para seu peito. O calor do abraço paternal, mesmo que aquele não fosse seu pai, a confortava. Ela calou-se e o único ruído que fazia era dos copiosos soluços.
Vendo que ela estava mais calma, sorriu. Olhou para baixo. Viu o sangue de seu flanco que aos poucos pingava no chão. Não iria ver o amanhecer. Ele sabia disso. Então a apertou mais forte, como quem se despede e manteve-a consigo.
A menina adormeceu abraçada ao seu protetor em meio ao beco sujo e escuro no qual escondiam-se de seus antigos captores. Já estava ameaçando raiar o dia quando finalmente ambos descansaram. Mas apenas um deles voltaria a ver o dia.
terça-feira, 29 de março de 2011
sexta-feira, 25 de março de 2011
Do Escuro
E então ele se viu no escuro. Olhava ao redor e nada via.
Mas algo captou seu olhar. Ele não sabe como, porque não via, mas sabia.
Com um rápido fulgor a luz se fez à sua frente. Pequena. Feminina. De asinhas iguais às de um inseto.
Ele tentou tocá-la. Mas sua mão a atravessou e novamente ele viu-se no escuro.
Ele não entendeu. Mas não era a primeira vez. Deu de ombros e dormiu. E perdeu o quê mais poderia ter encontrado lá. Coisas que não estariam ao raiar do dia.
Mas algo captou seu olhar. Ele não sabe como, porque não via, mas sabia.
Com um rápido fulgor a luz se fez à sua frente. Pequena. Feminina. De asinhas iguais às de um inseto.
Ele tentou tocá-la. Mas sua mão a atravessou e novamente ele viu-se no escuro.
Ele não entendeu. Mas não era a primeira vez. Deu de ombros e dormiu. E perdeu o quê mais poderia ter encontrado lá. Coisas que não estariam ao raiar do dia.
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