Foi o quê ele disse à menina. "As coisas vão ficar melhores... Já já vai amanhecer... Você vai ver..."
Seus olhos fecharam-se por um instante. Ele sentiu o ar gelado da madrugada queimando seus pulmões.
A criança chorava. Não sabia o quê estava acontecendo, mas de alguma forma sentia que não estava certo.
Para acalentá-la ele colocou a mão sobre sua fronte e puxou-a para seu peito. O calor do abraço paternal, mesmo que aquele não fosse seu pai, a confortava. Ela calou-se e o único ruído que fazia era dos copiosos soluços.
Vendo que ela estava mais calma, sorriu. Olhou para baixo. Viu o sangue de seu flanco que aos poucos pingava no chão. Não iria ver o amanhecer. Ele sabia disso. Então a apertou mais forte, como quem se despede e manteve-a consigo.
A menina adormeceu abraçada ao seu protetor em meio ao beco sujo e escuro no qual escondiam-se de seus antigos captores. Já estava ameaçando raiar o dia quando finalmente ambos descansaram. Mas apenas um deles voltaria a ver o dia.
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